domingo, outubro 27, 2013

NA SALA ANEXA: 
PESCADOR   FRAGA 
ABERTURA 30/10/2013, às 19h30min.  VISITAÇÃO 1/11 a 24/112013, 14 às 20h.






A viagem desta série em exposição é uma aventura pictória ainda enevoada, ainda turva, ainda nascitura, ainda em zigoto, (vírgula) embora pulsante em meio ao abstrato e impelida a fugir para longe das linhas das figuras. Tanto PASSEI anos convivendo no dia-a-dia com uma produção linear como ilustrador de jornal, livros e arte digital que a inquietude do abstrato se sublevou como o ronco de um vulcão em meio ao nevoeiro. Vêm à tona nesse processo as reminiscências de infância e a tentativa de buscar o mais remoto deslumbre e avistamento do mar, uma temática recorrente no meu repertório artístico. Também a lembrança nos tempos de guri, das marinhas quase abstratas do romântico Turner e a água escura de José Pancetti, cujas figuras eu recortava das páginas de resenhas de arte das revistas semanais que davam sopa nas salas de espera de dentistas, oculistas e médicos. O tema da série se esparge daí em névoa, surge do impulso de ir mais fundo, além da arrebentação. Se esvai adiante da agitação das ondas figurativas, lá onde o espaço é sugerido por uma única linha que divide a tela, da calmaria da superfície banhada pelos raios de sol num final de tarde ao azul profundo que se encharca de cor e mergulha na escuridão. O que está submerso nesse desassossego? Pássaros, barbatanas, sereias, monstros abissais, ocultos nas camadas do acrílico, escondidos no pigmento? Ainda que inconscientemente, apesar de todas as fugas, o artista persiste na idéia de pescar o olhar.
Gilmar Fraga

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