domingo, junho 17, 2012

04 de Julho de 2012



galeria Espaço IAB
Solar Conde de Porto Alegre
Gal. Canabarro, n°363 esq. Riachuelo
Centro Histórico | Porto Alegre, RS
curadoria
Adriana Xaplin
Vinicius Vieira



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PRÓXIMAS EXPOSIÇÕES
aberturas dia 4 de julho, às 19h30min
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MARSUPIAIS EDUARDO UCHÔA
sala do arco

Série inspirada pela primeira paternidade. Chamada Marsupiais pela existência, nas obras, de seres com outros seres dentro, como na gravidez. Naves híbridas humanas pilotadas por outros humanos ou animais. Reprodução, maternidade, tetas, leite, o universo dos bebês e brinquedos são elementos que predominam. Visão onírica e freudiana da surpreendente experiência de ser pai depois dos quarenta.

Eduardo Uchôa








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SALAS DE (NÃO) ESTAR LUCIANE BUCKSCRICKER
áreas externas


Salas de (Não) Estar é uma série de fotografias digitais de sofás encontrados em lugares públicos, de 2008 a 2012. Através das fotografias dos sofás abandonados, percebi que as disposições de objetos e situações, antes efêmeras e que passavam despercebidas pelos transeuntes, poderiam tornar-se perenes através da fotografia. Minha intenção é, então, estimular o espectador desatento e apressado a olhar para o invisível, para a memória suscitada nele pela imagem, provocando-o a debruçar-se sobre o banal e o corriqueiro. Um sofá delimita um local, mesmo que sem paredes. Ele deflagra a percepção de um lugar à sua volta. Convida-nos a olhar o que está à frente dele. Diferente de uma cerca, um sofá delimita o espaço ao acionar o olhar de uma pessoa. Quem colocou o sofá ali, criou de uma maneira única, uma sala de estar no mundo. Sendo assim, considerando que um sofá pressupõe a presença de um ser humano, concluí que onde há um sofá, há um convite para alguém estar. Desse modo, percebo que os locais públicos que momentaneamente abrigam um sofá abandonado se transformam em salas de estar públicas, nas quais as pessoas podem ou não simplesmente estar, caso o convite seja ou não aceito. Ao compartilhar meus registros com outras pessoas, percebi que, ao tomar contato com as fotos das salas de (não) estar, elas se mostram tocadas e instigadas a tornarem-se observadoras perspicazes do cotidiano que as rodeia, manifestando a vontade de fotografá-lo também. Recebi inúmeras fotos, feitas com os mais diversos tipos de instrumentos fotográficos, acompanhadas de depoimentos dos seus autores que diziam o quanto se sentiram satisfeitos ao conseguir observar um sofá deslocado para o meio da rua. Parece que, em uma época em que o tempo é percebido como fugidio e acelerado, o fato de alguém conseguir parar e ver o invisível traz um sentimento de liberdade, de satisfação e de autoria. Como se o sujeito que vê o que ninguém enxerga lograsse comprovar que ainda é capaz de perceber o mundo. Dessa maneira, acredito que este projeto venha a colaborar de alguma maneira com a redescoberta das cidades, com a volta da experiência física do cidadão urbano, pois, como já foi dito antes, os sofás deslocados não encantam apenas a mim, mas, através das fotos e de meus comentários sobre eles, as salas de (não) estar convidam outros tantos passantes a olhá-los e a refletir sobre o banal, o cotidiano e também - porque não? -, a maravilhar-se com ele.
Luciane Bucksdricker

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